Amor
Escrito por às 20h29
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Escrito por às 20h29
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Escrito por às 18h48
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Por Leandro Alves leandro_dic@hotmail.com
Ela está no bairro há bem pouco tempo, mas que já é suficiente para se tornar musa de notoriedade inquestionável para todos nós que apreciamos a beleza magnânima da mulher brasileira. Uma mulher que fulgura no cenário com o esplendor reluzente e intangível. É morena, cabelos longos e olhos castanhos. Seu humor é inteligente e agradável. Uma dentista de tirar o fôlego! A mulher que elegi para cuidar do sorriso que esboço ao mundo e, que, me brinda com encontros intrinsecamente ligados ao meu prazer e à minha emoção. Vou ao consultório odontológico como quem vai a São Paulo Fashion Week ou a alguma praia exótica. Cada dia é único, musical. Dia de vestir meus melhores trajes e me perfumar com uma fragrância sutil. De selecionar uma trilha sonora. Sim, no consultório temos música. Levo c’ds de canções de embalo suave e poesia impactante.
Lembro-me de que a conheci numa sorveteria próxima ao consultório e logo pedi para fazer um orçamento. Seu olhar me fisgou. Desde então nos encontramos uma vez por semana há quase um mês. Um tempo mais do que suficiente para eu me sentir tocado por seu estilo tão perfeito e envolvente. Superior a toda e qualquer tendência da moda e muito bem, original dentro da própria pele.
É exuberante. Sensual, inteligente, bem-humorada. Geralmente não usa jaleco e, nos dias de calor, costuma vestir uma calça branca e bem justa com uma blusa sem mangas e apertada realçando os seios duros com os bicos salientes, literalmente um tesão.
Fantasio sim, sexualmente. Fantasias incontáveis que fazem do meu imaginário um campo fértil e muito divertido. Eu me vejo em Floripa numa daquelas praias comendo camarão ou ostras, bebendo vinho tinto com os nossos corpos nus molhados de suor e desejo. Queimando no fogo daquele corpo angelical, acariciando-o, possuindo-o. Dizendo aos seus ouvidos segredos de liquidificador e matando a sede na saliva, como diz o cazuza.
Por enquanto, a gente apenas se toca. Se toca com os olhos, com comentários de sentido duplo, abraços que buscam um contato mais prolongado com o corpo e olhares que nos mobilizam. Ai daquele que, terminado o atendimento, estender a mão num sinal de despedida: o outro cobra mesmo. Os abraços e beijos já fazem parte do protocolo. Como diz o poeta: as muito feias que me perdoem, mas a beleza é fundamental.
Escrito por às 13h08
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Escrito em maio de 2008.
Por Leandro Alves
Tive o prazer de apreciar na última quinta-feira, oito de maio de 2008, o show "Beba-me" de Elza Soares e estou ainda hoje extasiado de tanta emoção. Elza Soares é dona de um carisma incomparável e encantou a todos os presentes no Palácio das Artes,
O espetáculo começou na penumbra, Elza cantando ainda fora do palco a música "Meu guri" de Chico Buarque. Entrou com um vestido justo, vermelho, e uma rosa enfeitando os cabelos. Já em cena, entoou "Se acaso você chegasse", seu primeiro sucesso.
Se acaso você chegasse
No meu chateau e encontrasse
Aquela mulher que você gostou
Será que tinha coragem de trocar nossa amizade por ela que já lhe abandonou
Com poucas variações, o repertório foi o mesmo do show que deu origem ao CD e DVD ao vivo "beba-me", com músicas de Caetano Veloso, Noel Rosa, Billy Branco... Um detalhe importante: recentemente, Elza foi operada devido uma crise de diverticulite, permanecendo hospitalizada por algum tempo. Surpreendentemente, seu vigor era tal que, durante as quase duas horas de show, não parou sequer para tomar um copo d’água. Foi até o fim com muito samba no pé.
A platéia mal se segurava na cadeira e também não conseguia parar de rir. É alucinante a interpretação de "O neguinho e a senhorita" de Noel Rosa e Abelardo da Silva que conta a história de um negro que se apaixona por uma moça rica e a leva para morar na favela. O clima nesse momento é de muita descontração e bom humor.
Além de intérprete Elza Soares também é compositora como podemos ver em "Pranto livre" onde a letra é divina e pronta do ponto de vista poético:
Chora, desabafa seu peito,
Chora, você tem o direito.
Em se tratando de amor,
Qualquer um pode chorar.
Não se envergonhe do pranto, que é
Privilégio de quem sabe amar.
Elza não desmerece sua origem e fala com orgulho da infância pobre no Rio de Janeiro, na década de 40. Nascida na Cidade Maravilhosa em 23 de junho de 1937, filha de uma lavadeira e de um operário, cresceu na favela Água Santa e apenas aos 20 anos de idade fez seu primeiro teste como cantora. Logo seria contratada para a Orquestra de Bailes Garan e, em seguida, para o teatro João Caetano. Desde então, nunca mais calou sua voz rouca e seu estilo singular.
Repleto de momentos marcantes, o show da musa vai ficar na memória. Para mim, por um detalhe especial: o momento
Ela me autografou o CD "Beba-me" e, ao chegar em casa, varei a madrugada escrevendo esta crônica. A hora do bis foi com a canção "A carne", composição de Seu Jorge, Marcelo Yuca e Wilson Capellette:
A carne mais barata do mercado é a carne negra...
Que vai de graça pro presídio
E para debaixo de plástico
Que vai de graça pro subemprego
E pros hospitais psiquiátricos
Escrito por às 14h09
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